domingo, setembro 22, 2002

take me somewhere nice.

sábado, setembro 21, 2002

O brilho dos teus olhos a fugir eu a sentir paredes altas a crescerem na minha frente. A ver-me pôr sal no café e a bebê-lo sem sentir a diferença. A encharcar a raiz da única planta que tinha.

voltei como se emergisse de uma piscina, não pelos pés molhados mas pela sensação de alívio. De sentir os ouvidos acima do nível de imersão.

Aqueles dias perfeitos. Que enchem e sufocam os lábios.
Quando estendida, o céu fica demasiado perto.

- Tu é que sabes. Mas atenção: não é bom aprisionar os fumos depois de eles terem sido respirados por nós. Deixam pesadelos pelo chão.

Cortou uma pequena madeixa do seu lindo cabelo ruivo e beijou-a.

quinta-feira, setembro 19, 2002

Eles caem das àrvores aos três e aos quatro de cada vez. Nunca peço ajuda quando isso acontece, apanho sozinha os corpos magoados do chão. Pego neles ao colo e levo-os para casa, dou-lhes comida e chamo-lhes gatos.

O nome surgiu-me logo, nunca antes o tinha ouvido ou dito.

- Gatos -

domingo, setembro 15, 2002

tens coisas escondidas debaixo da tua pele.

sábado, setembro 14, 2002

Afinal é melhor assim. Vou sonhar-te no meu canto. Os cheiros que deixaste nas minhas mãos lembram-me de ti. E sabes? É melhor assim. Descobri que tenho medo de ti. Tremo de medo. Falta-me o ar. E então é melhor sonhar-te assim. Nesta calma, neste cinzento macio. Partiste. E rezo todas a noites para que não voltes. Vou criando histórias, visto-te de mil e uma peles diferentes, mas em cada uma delas tens sempre esse olhar de menino perdido. Esse olhar que se perdeu, mas que não parei de procurar. Deve ter-se perdido por ai, talvez esteja a tremer de frio numa ruela qualquer. Coitado. Será que sobrevive ou acabará por morrer? Ele era forte, talvez resista.

sexta-feira, setembro 13, 2002

Era açúcar luminoso comestível, vivos cravos tímidos, limões verdes frios, chocolates.
Sobre uma locomotiva que cospia violetas.

tremi.
do umbigo até ao tecto.

quinta-feira, setembro 12, 2002

Game-Over.

Como se fosse um novelo de lã a rodopiar nas patas brincalhonas de um gato, um novelo que, voluntaria e involuntariamente, muda de cor muitas vezes.

tanta gente diferente que me destrói de mim.

terça-feira, setembro 10, 2002

A palavra com que me negas
esconde-se ainda numa curva da estrada.

O sol dá curvas. Os seus raios preenchem tubos que vão iluminar vários andares de bonitas flores.

tu sabes. é só isso. tu sabes tudo.agora não. agora não interessa, nem queres, nem podes. mas no fundo, vás onde fores, aconteça o que acontecer, tu sabes. só te esqueces às vezes porque custa menos.
eu também me esqueço.

segunda-feira, setembro 09, 2002

Há o perigo de um grito lindíssimo quando caminhas assim comigo no escuro.

domingo, setembro 08, 2002

Sei que fui além da névoa dos teus vidros.
Essas mãos dormentes, que esperam? Pelo azul dos corpos que se entrelaçam e vão descendo, descendo? Até chegarem ao teu rosto, até te tingirem da mesma cor que eles. só que de um azul menos brilhante. E tu, apenas os olhas abismado. Queres tocar-lhes, não é? Anseias conhecer a espessura desses corpos que chegaram, nem sabemos bem de onde.
Esse teu olhar cinzento, que quer dizer-me? Porque não me falas? Porque me deixas permanecer incrédula neste círculo?
Não caminharei mais no fundo das fontes onde o mundo nasce. Como se me perdesse sem termos sido a cidade, nem termos rasgado pedras.
Apenas te sinto na polpa dos meus dedos.
E sei que fui além da névoa dos teus vidros

sábado, setembro 07, 2002

- Quando rasgo cadernos inteiros e sem me arrepender. Uma espécie de cura.
- Gosto dessa imagem.

sexta-feira, setembro 06, 2002

Acordei com um homem a ler um poema. não me lembro o que dizia. Lembro da sua expressão. Um homem a ler um poema é daquelas coisas que não se esquecem. E eu hei-de lembrar-me de ti a folhear as páginas do livro, à procura de ritmos para dourar aquele momento, os favos da noite a crescerem lá fora, sozinhos no meio da multidão, e eu paralisada na ânsia de um leve beijo, daqueles que parecem não acontecer, sem conseguir dizer que é tudo tão simples.

Falar-te no ventre da noite, à hora em que migalhas de estrelas dançam na tua boca de mel e de febre.

quinta-feira, setembro 05, 2002

A outra metade amarela da lua, a que sempre se inclina na tua janela, é tão diferente da minha.

terça-feira, setembro 03, 2002

Todas as minhas sombras são dançarinhas. Elas dançam porque se esqueceram de imitar os meus sorrisos.

Tenho pólen cor-de-laranja no cabelo e nos olhos.

Pensei em arrumar a escada no sotão.

domingo, setembro 01, 2002

A falta de vontade é um anjo preso num alguidar.
Tem nobres intenções e os pulsos sujos.
Ele não canta nem levanta impulsos bons ou maus.
Só vê cortinas rasgadas à deriva.
Só sente a maré alta quando a água lhe toca nos pés, com uns peixes rápidos a engolir a vontade, a voz, as asas.