Sei que amanhã vais abandonar-me.
Deixa-me só beijar-te os olhos.
A confiança é um bicho estranho. Aproxima-se lentamente, instala-se. E fica por ali, tranquilo, quase sem darmos por ele. Mas é um animal tremendamente assustadiço. Ao mais pequeno gesto agressivo, foge a sete pés, perde-se na selva da suspeita. Normalmente, para não mais regressar. E na alma fica o espaço por ele ocupado antes. Enorme. Avassalador. Aterrador.
Querido Guilherme:
Adivinhaste. Naquele dia quis sentar-se no canto do quarto. Ali fiquei, durante horas, no semi-escuro….