segunda-feira, junho 24, 2002

Sei que amanhã vais abandonar-me.
Deixa-me só beijar-te os olhos.

sexta-feira, junho 21, 2002

Discretamente indiscreta.

A confiança é um bicho estranho. Aproxima-se lentamente, instala-se. E fica por ali, tranquilo, quase sem darmos por ele. Mas é um animal tremendamente assustadiço. Ao mais pequeno gesto agressivo, foge a sete pés, perde-se na selva da suspeita. Normalmente, para não mais regressar. E na alma fica o espaço por ele ocupado antes. Enorme. Avassalador. Aterrador.
Felizmente, também há por aí os bichos que são mais fortes. Aqueles que não se assustam com qualquer coisa.

sexta-feira, junho 14, 2002


You are a splendid butterfly
it is your wings that make you beautiful
and I could make you fly away
but I could never make you stay.
You said you were in love with me, both of us know that that's impossible
and I could make you rue the day
but I could never make you stay.
Not for all the tea in China
not if I could sing like a bird
not for all North Carolina
not for all my little words
not if I could write for you the sweetest song you ever heard
It doesn't matter what I do, not for all my little words.
Now that you've made me want to die
you tell me that you're unboyfriendable
and I could make you pay and pay
but I could never make you stay...


All My Little Words, The Magnetic Fields.

domingo, junho 09, 2002

Querido Guilherme:

Escrevo estas cartas mesmo sabendo que jamais as lerás, mas não me sinto ridícula ao fazê-lo. Será que estou a enlouquecer? Talvez esteja, mas esta é a forma saudável que encontrei de enlouquecer. Tenho saudades de conversar contigo. Só assim me permites chegar até ti.
Tenho saudades do teu sorriso, Guilherme. Será que ainda sorris assim? Será que ainda pensas em mim? E no meu sorriso? Se aparecesse aqui uma fada madrinha e me concedesse um desejo, um só desejo, sabes o que eu pedia? Pedia para te ver sorrir. Só por uns segundos. Nem pedia que voltasses, não sei se quero que voltes…Mas queria ver-te sorrir. Para sorrir também, Guilherme.

sexta-feira, junho 07, 2002

E os gatos não têm dono.

Tenho lágrimas nos ossos e chuva no rosto.

segunda-feira, junho 03, 2002

Adivinhaste. Naquele dia quis sentar-se no canto do quarto. Ali fiquei, durante horas, no semi-escuro….

Chegaste com os teus olhos lisos a humedecerem o quarto. Vagueaste por ali, parecias não acreditar na tua própria presença. Os teus dedos passeavam pelos móveis num afecto distraído. Pensei que não me viras. Ali ficámos em silêncio. Cada um no seu canto. Julgo que cheguei a adormecer.

- Deixa-me nascer em ti.
Disseste.

Fechei os olhos, e deitada no chão quente escutei os meus próprios passos que se afastavam. Não sei para onde foram. Também não voltei a ver-te.

Acendemos paixões no rastilho do próprio coração. O que amamos é sempre chuva, entre o voo da nuvem e a prisão do charco. No arremesso certeiro vai sempre um pouco de quem dispara.